Finalmente acordei daquele terror de vida. Com a boca seca e sensação de afogamento interno, sentei na cama e me pus a pensar realidades deturpadas e preconizadas pela conjunção "se". A dor batera, cessara e agora...voltara. O lamento não faz em minha boca boa moradia. O animal que persegui ferozmente rejeitou as tentativas de domesticação e agora é meu algoz. O jogo virara. Volta e meia me prendo nas teias que eu mesmo teci; caio nas arapucas que eu mesmo armei; sucumbo às ameaças da minha própria sanidade. Não posso esquecer da contradição, pois nas metáforas me sinto afinado, apesar de pouco poder de abstração de mim para comigo. Tudo isso foi me mostrado em sonho. O consciente tapeia, mas o inconsciente é severo. É ele meu verdadeiro algoz. Me prende a um lugar ao qual não quero estar mais. Nos sonhos tudo é lindo. Nos meus sonhos a realidade é cortante... dilacerante. Devaneios feitos, vem a raiva de sentir e ser o que realmente são inerentes à minha pessoa. E com um balde de água gelada o sonho me desperta. Não para a vida que eu sempre sonhei, mas para a realidade que eu nunca tive e sempre sinto des(res)peito.