sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Ladrilhos Coloridos pt. I

O céu estava borrifado de nuvens e o cheiro fresco de pêssegos dançava no vento trazido das montanhas. O ar cortava as maças de meu rosto e o brilho singular do sol naquela tarde me fazia sentir vontade de correr. Minhas irmãs estavam todas na varanda, cada uma com seus respectivos afazeres: Doroth com suas bonecas; Emily, a mais velha, com seus apetrechos de corte e costura e eu com a minha estúpida imaginação. Considerava ser Eu a irmã mais fiel à mim mesma. Mamãe nos educara muito formalmente e, com frequência, podava nossos sonhos de menina como dando forma as topiarias do jardim. Nunca tive vontade de ser uma dona de casa. Me sentia deslocada e afastada do sonho feminino de manejar tecidos, cuidar de crianças e todos esses outros empreendimentos do lar. Queria montar uma loja de sonhos; uma gigantesca operação cujo objetivo mor fosse entrar na casa das pessoas à noite e encostar meus lábios nos seus ouvidos, sugando de seus torpores noturnos os sonhos escondidos. Depois, preencheria pequenos frascos coloridos com essas preciosidades e venderia para quem quisesse vivê-los. Seria triplamente feliz dessa maneira. Fica claro que eu queria mesmo era corre dali. Em um lugar aonde os sonhos não florescem não há espaço para a minha imaginação. Ela cresce e quase estoura as vidraças da casa numa bolha fermentada de trocas gasosas e substâncias químicas. Mamãe dizia ser eu a ovelha negra, pois quase mato  as minhas irmãs com a minha força. Um dia, enquanto sentada às margens do riacho próximo a casa em que existíamos, observava encantada as gotas de orvalho que escorriam do vermelho envergonhado das caladiums. De sopetão, fui surpreendida com mamãe e todos os meus livros e cadernos de anotações. A base de sua saia parecia rígida e, de baixo, contrastou com a beleza pitoresca das montanhas ao fundo. Seus punhos pareciam lapidados em pedra sabão. Punhos que seguravam os objetos de minha vergonha com força extrema e os pressionava contra o peito. Sua expressão  não lembrava em nada os semblantes renascentistas e complacentes das pinturas na sala de estar. Lancados ao ar, minhas memórias fizeram um barulho arfante e depois, líquido. Não chorei, não lamentei. Os poemas proibídos estavam em minha mente e se movimentando rapidamente como cobras pontas para dar o bote. Voltei meus olhos anteriormente abertos ao chão e lamentei sentir-me tão só, mesmo entre tantas pessoas; mesmo entre pessoas tão queridas. Foi então que parti para nunca mais voltar.O céu estava  agora melado com o doce sabor viscoso de poucas nuvens. O medo passara e a minha loja de sonhos estava toda na estante do meu quarto. Havia sido eu astuta, mas ainda sim digna de surtos de felicidade momentâneos.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Operário

Manejando tijolo por tijolo eu pretendo modificar o meu futuro. O projeto já foi feito pelas mãos cuidadosas de arquitetos de outrora, mas o projeto se fez carne: o projeto sou eu. Sou o senhor do meu próprio destino. As verdades que os companheiros tentam desesperadamente me vender não irão mudar quem eu realmente serei. O passado é terreno que sustenta meu edifício, ainda que não tenha importância aparente. É o que eu vivi lá que configura a face oculta da minha personalidade. Sem ele meu prédio cai e me torno um não-Eu; falta-me a metade. Não importa se tu, que antes foste o tijolo mais brilhante que arranquei daquela preciosa estrada, não está mais comigo, pois outro ocupará o seu lugar, ainda que eu tenha que completar com mais massa, ou com os pedacinhos de concreto quebrado que venho juntando das doações incrédulas dos meus ajudantes. A face oculta é traiçoeira, pois mente para o seu próprio empregador: eu não sou o senhor do meu futuro, afinal. Na construção da vida, o meu prédio vai ficando torto e vai rachando. Entra tijolo, sai tijolo, mas as minhas mãos suadas não se cansam de tentar encaixar nesse projeto louco, a peça que tu fostes. Talvez, mas somente talvez, ele esteja escondido lá no fundo, ofuscado por outra arte ou fato oferecido com mais afinco. Mas isso só quem sabe sou eu. E a personalidade escondida no fundo dos meus olhos, agora deturpada na possibilidade de ainda depender de outrém para seguir o projeto, me fala que amanhã teu tijolo será a base da minha felicidade: o passado.

Ewerton Oliver

domingo, 12 de dezembro de 2010

A luz no coração

Tentava desesperadamente se lembrar aonde tinha colocado. Teria sido no sótão? Estaria embaixo na macieira? Frio. O cair do dia lançava raios dourados no chão do quarto e as sombras iam ferozmente se debatendo e se distorcendo. Estavam levando junto com elas a esperança. Pela janela aberta voaram todas as suas anotações e suas estórias vindas das aventuras de uma mente traiçoeira. Eles estavam por toda a parte, e tinha que se fazer as coisas com cuidado para não aborrece-los. Uma caça ao tesouro seria mais amistosa. aquilo era insano; era sádico e sujo. Uma gota de sangue bastou para causar todas as dores do mundo. Antes que eles pudessem quebrar os ossos do seu peito e romper o cadeado de prata para abrir o baú, descobriu o que procurava e mais: aonde estava. Até então não sabia, ao menos, o que poderia ser. Porém, inesperadamente, a mesma mão que cerrou e desceu no golpe certeiro e imponente, foi a que penetrou seu peito como lenta calmaria e arrancou de lá o que jamais se pensou. De agora em diante não seriam mais ouvidos os passos nas nas escadas, bem como os suspiros de vida na casa. Senteseumavíliotremendoquandosepercebequeomomentodamortepassouanteosseusolhosenãocausoumaisdeturpaçoeslimpaseagotadesuorerespirasefundoqueroordenarmeuspensamentostenhoquesairdaquinuncamaispassareiporcoisasparecidasoquefizparamerecerissoestoupronto. Mas as dores e dificuldades da caça são o tempero especial da carne preparada para o jantar. Da maneira mais sarcástica possível, aquele foi o dia mais feliz de uma existência que vagava sob os sentimentos flutuantes dos que nunca iriam lhe ceder sequer migalhas. Enfim consegui ver, sentir e tocar o valioso membro da tua própria majestosa obra humana. Tentou com esforços titânicos esconder e velar o sofrimento desse órgão, enquanto se enrolava lentamente nas teias da fugacidade sentimental. estava, agora, pronto para seguir em frente. todos prontos para partir. Feito. Lá fora, haviam sombra de maças no chão e nas paredes. Haviam maçãs penduradas no teto e a sombras que iam se distanciando, rumando ao sul, cada vez mais longe e esvanecendo, levavam consigo o cheiro do medo e de toda a dor antiga.


Ewerton Oliver.

sábado, 11 de dezembro de 2010

Dentro de (mim)

Ao redor, sente-se que o que havia perturbado o descanso estava pairando no ar. Ah, é o doce cheiro de carmim; cheiro de coisa vinda dos baús dos queridos anciões. Vem de algo que ainda não se consegue perceber, mas que está mais perto do que se poderá imaginar. Em mente, reverberaram lembranças vencidas pela força de atos não-verbalizados. Precisou desvencilhar-se daquela tempestade de emoções, então decidiu dar uma volta pelo campo e preencher os pulmões com o doce cheiro das uvas frescas, como se não soubesse que elas não estariam mais à disposição do toque. Afincada no chão cuidadosamente fertilizado estava uma placa que advertia sobre o tempo passado das uvas. Sentiu-se uma vertigem por causa da força, velocidade e densidade dos pensamentos que  lhe afligiram ferozmente naquele momento. Não paramos para pensar que quando as uvas parassem de brotar, todos simplesmente sentiriam falta delas; todos poderiam enfim ver que aquele o doce paladar de outrora jazia unicamente na lembrança. Seria o medo desse vazio repentino, que vinham nos estremecer por presságios, o sentimento causa-dor de tamanha preocupação com o fim? Independente de tudo, sente-se tristeza por não querer deixar aquilo ir embora, pelo menos pelo curto tempo que irá se passar sem elas, até a nova temporada. Essa sensação era, em parte, causada pela insaciável necessidade que se teve, ou que se pensou ter, de sentir o doce sabor daquelas nossas preciosidades momentâneas. Voltando dos devaneios mais obscuros que alma humana enlameada poderia tramar, percebe-se que em muito o cheiro daqueles doces frutos confundem-se com o cheiro que impregnou os quartos, os lençóis e penetrou as dependências da infortunada e, até então, inviolada sanidade. Mas antes que se possa dar conta dos fatos acontecidos, sente-se que o tempo da busca e da abstinência é, agora, passado. Abrindo os olhos, percebe-se que o fato já não causará dor alguma; já não desperdiçará o tempo que lava os pés com o fogo gotejante da irracionalidade. E então, observa-se no horizonte do nublado dia que agora era tempo de amoras. As recém-chegadas amoras trazidas pelos ventos que trabalham à favor do destino. São os nossos mais novos amores.


Ewerton oliver.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Sobre o eu não-lírico

A possibilidade de postar poemas e contos nesse blog surgiu da necessidade de expor meus pensamentos que quase sempre chegam em formas poéticas. Também veio da necessidade de conhecer um pouco melhor essa ferramenta de edição de textos, através de uma perspectiva que não fosse tão teórica (somente meus mais queridos entenderão esse segundo motivo, pois conhecem os meus estudos). Não tenho objetivo nenhum de ser pop ou essas outras coisas que o advento do computador fez emergir como principais objetivos em nossas vidas. Postarei os textos conforme a minha vontade e disponibilidade de tempo. Até venho a pedir desculpas antecipadas pois, sabendo como sou atarefado, pode acontecer de eu passar muito tempo sem postar. Espero que me entendam e que não desistam das força inspiradoras das Musas. rs. Acredito que as pessoas que estão acostumadas com poemas menos enigmáticos não vão gostar muito, porém, sugiro que façam um pequeno esforço e tentem extrair o máximo de significado dos textos. Peço também que comparem com situações/sentimentos de suas próprias vidas. Defendo a teoria que discorre sobre a leitura de  literatura como sendo um atividade da qual todos podem se deliciar, e que também esse "todos" é transformado ao incorporar qualquer ideia contida em um poema. Digo qualquer idéia mesmo...nem que seja uma abstração contida em uma única palavra. Alguns textos como "Eu,Tu e ele." quebram o padrão de conto, desconstruindo uma forma do tipo narrador + duas pessoas dialogando, e formando o que chamados de fluxos de consiência: o leitor terá dificuldade em entender quem falou com quem e quando falou. Essas desconstruções serão um dos meus temas favoritos. Notem que os textos estão por todos os lugares, e que negá-los seria o mesmo que negar a realidade. Foi-se o tempo em que poesia e literatura eram só para os nobres. O fato é que temos que entender o baixo índice de pessoas adeptas dessas formas de arte, mas que não temos que nos contentar com isso. Afirmo levando em consideração minha própria experiência. Quando escrevo poesia e quando ponho meus sentimentos no papel, em qualquer formato de texto, mesmo de notas em diários, me sinto livre e sinto que posso libertar outras pessoas com essas formas de expressão. Quantos problemas seus e quantos demônios escondidos você não deixou de exorcizar por negar a força dos poemas? Se você ainda argumenta que não gosta de poesia, te faço outra pergunta: Porque você escuta musica? Essa que é uma das formas poéticas mais difundidas no mundo de hoje tem quase todo mundo como adepto. No entanto, poucas pessoas sabem que a poesia se originou juntamente com  outras formas de arte (incluindo o teatro e a própria fala!) e que era um tipo de texto pra ser cantado e ritmado: daí as famosas riminhas e a estética em versos que os poemas possuem até hoje, só para citar as técnicas mais conhecidas. Literaruta em geral dota de cores nossos pensamento e nos faz abstrair dos problemas estritamente materiais. Toda e qualquer pessoa que sente algo, forte ou fraco, encontrará na poesia muitas respostas, mas isso também dependerá das chaves que você lancará mão para desvendar os segredos! Ficarei feliz se uma dessas minhas árvores deixarem em seus corações, ou em suas mãos, uma sementinha. E se essa sementinha germinar em você, se tornará uma árvore bem enraizada que, por muitas e muitas vezes, te servirá de sombra, te dará alimento e te sustentará nos tempos difíceis. Se não, você pode repassar para outro jardim. Agora, deixando um pouco de lado a pessoa/ideias e partindo para pessoa/corpo que aqui escreve, te digo um milhão de coisas sobre mim: sou igualzinho a você.

Ewerton Oliver.

Presságio

O tempo imponente assusta
A nuvem vagarosa e suja
Jorra cristalina água
E com luxúria gota cai


Espero cabisbaixo o vento
Sem fazer nenhum movimento
No fim do livro fantástico de conto
De amor que sofre, revigora e se vai


Não digo nada; sequer palavra
Não faço prosa, amasso a rosa
Não vejo luz nem vejo a hora
De me levar; livrar e escapar


Dessa imponente tormenta
Que aos poucos alimenta
O frio  flamejante e laminado
No fundo do meu olhar


Ewerton Oliver.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

temps nuageux

No frio impetuoso da escuridão
Que um dia habitou olhos meus
Ainda queimava o doente desejo
De revelar o nunca dito aos seus


Tudo que vi com olhos de atenção
Gostos que senti e toquei com emoção
Vidas que entrelacei e larguei no chão
E as chuvas que na loucura apanhei


Dessas não esqueço e delas faço poesia
O que tenho em peito-fornalha regozija
Renova e transforma a si e a mim
A sina sonda e a morte foi dolorosa


Há nada hoje e para sempre que possa fazer
Limpar o chão de linóleo inútil agora será
Estórias e sonhos em  desbotadas fotografias
Me fitam e indicam do que poderei adiante falar


Nunca tendo visto tal condenação
Ainda que desconhecedor seja meu coração
Das terras distantes que paira a razão
Aquilo cujos últimos versos formarão


Ewerton Oliver.

Mon erreur: déni

Deixe-me ir, não mais quero sentir
A dor, ardor: então o amor
que a tudo isso acompanhou

Se me trancas por fora
Me abro por dentro
E tudo evapora

É quebrado
Está partido
Foi perdido

O que você desejou de mim
É apenas o que você
Deseja de mim
É só o que
Você deseja
De mim é
Só que
Deseja de
mim é
Você



Ewerton Oliver.

Sonnet du passé

Tentando e contando seus passos no jardim
Fico a pensar o que vai ser de mim
Tudo do intenso é muito bom e ruim:
Gotas temperadas nos lados. No vão

O delatador vem depressa à face do querubim
E o lado que grita, clama e chora pelo fim
Vários regressos feitos com desejo, enfim:
Pois entornaste tua sorte pelo chão

De tudo que hoje tenho, nada me contenta
Tua sombra me persegue. Teu cheiro me atormenta
Fito passos na escada com vigília de um cão

Caço hoje escuro faminto vento
O vácuo na alma se passa por alento
Existe o breu de cor carmim


Ewerton Oliver.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Tardias apresentações

Olá! Meu nome é palavra e eu tenho uma porção de sentimentos nas minhas costas. Se você me ajudar a propagar alguns dessas coisinhas tão inúteis por aí afora, garanto que vai se sentir bem mais leve ao carregar teus próprios  fardos (aqueles objetos/coisas firmemente tangíveis que tanto importam e influenciam nas vidas humanas). É quase como a homeopatia. Não é magnífico? Pois bem, se fizeres o que eu humildemente te aconselho, não precisará da ajuda de ninguém. Afinal, quem gosta de ser incomodado, não é mesmo? Eis dois fatos que você tem que enfiar na sua cabecinha desmiolada (e eles não irão se importar se não houver mais espaço em meio a tanta informação desnecessária). Primeiro deles: as pessoas estão perdidas. Sim, elas estão e você não vai querer teimar comigo. Digo isso porque além de ter pena dos humanos, temo pela minha própria extinção. Eu sei pois saio da sua boca toda hora e seus atos são incompletos sem a minha presença. Sou delatador/a mesmo na ausência. Sou perigoso/a, sou uma arma de batalha; de guerra. Vários homens importantes me usaram para mudar o mundo. Alguns  obtiveram sucesso. Já outros...nem tanto. Represento um perigo tão grande que posso ser homem e mulher; criança e velho; bonito/a ou feio/a; uno ou múltiplo; ter um "o" ou um "a" separado por barras ao final, e tantas outras milhares de coisas. A vergonha é que dependo de seres humanos que, raramente, sabem me usar; sabem me interpretar; sabem me lançar ao ar. Segunda revelação: Não! as imagens definitivamente não valem mais do que mil palavras. Na verdade, mal chegam a representar de maneira apropriada o significado de uma isolada irmã minha. Isso, é claro, não será válido se você gostar de comprar ideias prontas, ao melhor estilo "pegue duas e pague três" dos supermercados. A vida é, hoje, tão corrida, que não há tempo de pensar com a própria massa cinzenta. Digo tudo isso em apenas uma forma: EVOLUA. Agora tenho que partir. Fiquem com o vácuo e pensem bem no que eu disse anteriormente. Ou não pense em nada. (...)


"Aflige-me a alma, que eu exista, mutilada, através de erros que nem são meus. Assim sendo, emudeço sem razão"
                                                                                                                                         -Palavra


Ewerton Oliver.

Eu, tu e ele.


Me dê a mão e vem comigo. Sejamos. Existamos. Compartilho de suas vivências se você compartilhar das minhas. Então, temos um acordo? Sim. Um acordo e um problema: como viver e sentir o que  você nunca terá acesso? Tudo está muito bem escondido, e eu também não sei se você suportará. Viveremos ações e esboçaremos reações diferentes. É simples: tenta-se colocar um corpo por sobre o outro, bem apertadinho,  enquanto você vai, aos sussurros, descrevendo cada ato seu e colocando as chaves nas fechaduras. Assim poderemos ouvir o clique juntinhos.Tudo bem então! Se é pra tentar o novo, que fechemos os olhos e nos lancemos ao abismo. Independente de tudo, a companhia feita durante a queda compensará o estilhaço dos sonhos banhados de sangue que irá jazer no fundo. Pelo menos é nisso em que eu acredito. E não ouse tolher minha capacidade de ilusão. Considero que não se faz necessário tanto pessimismo. Afinal, partilharemos das mesmas emoções e na mesma intensidade. Eu acho que não. Mas tudo fora edificado em areia movediça. E o que restou ao final de um processo que desconfigura a face e desorienta os globos oculares foi só o vácuo da palavra não dita e do amor mal-feito depressa. Os lugares imaginativos só se tornaram inalcançáveis pelo velado desejo de individualidade que enevoava palavras doces feitas de céu azul e o cheiro de desejo. E nada disso foi realmente dito.


Ewerton Oliver.

domingo, 28 de novembro de 2010

Memoir

Da gota d'agua que alimenta minh'alma
Revolve límpido o que encharca meu leito
Enquanto a fonte celestial graça derrama
O pranto das sementes dos ventres e peitos


Se dela escapa alegria luxuriante e desvairada
Fulminante toca o gozo, hibridez de emoção liberada
Pensamentos meus condeno à ilha inútil e isolada
Lanço o raio dos espelhos d'alma no não feito


Ewerton Oliver.