segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Eu, tu e ele.


Me dê a mão e vem comigo. Sejamos. Existamos. Compartilho de suas vivências se você compartilhar das minhas. Então, temos um acordo? Sim. Um acordo e um problema: como viver e sentir o que  você nunca terá acesso? Tudo está muito bem escondido, e eu também não sei se você suportará. Viveremos ações e esboçaremos reações diferentes. É simples: tenta-se colocar um corpo por sobre o outro, bem apertadinho,  enquanto você vai, aos sussurros, descrevendo cada ato seu e colocando as chaves nas fechaduras. Assim poderemos ouvir o clique juntinhos.Tudo bem então! Se é pra tentar o novo, que fechemos os olhos e nos lancemos ao abismo. Independente de tudo, a companhia feita durante a queda compensará o estilhaço dos sonhos banhados de sangue que irá jazer no fundo. Pelo menos é nisso em que eu acredito. E não ouse tolher minha capacidade de ilusão. Considero que não se faz necessário tanto pessimismo. Afinal, partilharemos das mesmas emoções e na mesma intensidade. Eu acho que não. Mas tudo fora edificado em areia movediça. E o que restou ao final de um processo que desconfigura a face e desorienta os globos oculares foi só o vácuo da palavra não dita e do amor mal-feito depressa. Os lugares imaginativos só se tornaram inalcançáveis pelo velado desejo de individualidade que enevoava palavras doces feitas de céu azul e o cheiro de desejo. E nada disso foi realmente dito.


Ewerton Oliver.