No frio impetuoso da escuridão
Que um dia habitou olhos meus
Ainda queimava o doente desejo
De revelar o nunca dito aos seus
Tudo que vi com olhos de atenção
Gostos que senti e toquei com emoção
Vidas que entrelacei e larguei no chão
E as chuvas que na loucura apanhei
Dessas não esqueço e delas faço poesia
O que tenho em peito-fornalha regozija
Renova e transforma a si e a mim
A sina sonda e a morte foi dolorosa
Há nada hoje e para sempre que possa fazer
Limpar o chão de linóleo inútil agora será
Estórias e sonhos em desbotadas fotografias
Me fitam e indicam do que poderei adiante falar
Nunca tendo visto tal condenação
Ainda que desconhecedor seja meu coração
Das terras distantes que paira a razão
Aquilo cujos últimos versos formarão
Ewerton Oliver.
terça-feira, 30 de novembro de 2010
Mon erreur: déni
Deixe-me ir, não mais quero sentir
A dor, ardor: então o amor
que a tudo isso acompanhou
Se me trancas por fora
Me abro por dentro
E tudo evapora
É quebrado
Está partido
Foi perdido
O que você desejou de mim
É apenas o que você
Deseja de mim
É só o que
Você deseja
De mim é
Só que
Deseja de
mim é
Você
Só
Ewerton Oliver.
Ewerton Oliver.
Sonnet du passé
Tentando e contando seus passos no jardim
Fico a pensar o que vai ser de mim
Tudo do intenso é muito bom e ruim:
Gotas temperadas nos lados. No vão
O delatador vem depressa à face do querubim
E o lado que grita, clama e chora pelo fim
Vários regressos feitos com desejo, enfim:
Pois entornaste tua sorte pelo chão
De tudo que hoje tenho, nada me contenta
Tua sombra me persegue. Teu cheiro me atormenta
Fito passos na escada com vigília de um cão
Caço hoje escuro faminto vento
O vácuo na alma se passa por alento
Existe o breu de cor carmim
Ewerton Oliver.
Ewerton Oliver.
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
Tardias apresentações
Olá! Meu nome é palavra e eu tenho uma porção de sentimentos nas minhas costas. Se você me ajudar a propagar alguns dessas coisinhas tão inúteis por aí afora, garanto que vai se sentir bem mais leve ao carregar teus próprios fardos (aqueles objetos/coisas firmemente tangíveis que tanto importam e influenciam nas vidas humanas). É quase como a homeopatia. Não é magnífico? Pois bem, se fizeres o que eu humildemente te aconselho, não precisará da ajuda de ninguém. Afinal, quem gosta de ser incomodado, não é mesmo? Eis dois fatos que você tem que enfiar na sua cabecinha desmiolada (e eles não irão se importar se não houver mais espaço em meio a tanta informação desnecessária). Primeiro deles: as pessoas estão perdidas. Sim, elas estão e você não vai querer teimar comigo. Digo isso porque além de ter pena dos humanos, temo pela minha própria extinção. Eu sei pois saio da sua boca toda hora e seus atos são incompletos sem a minha presença. Sou delatador/a mesmo na ausência. Sou perigoso/a, sou uma arma de batalha; de guerra. Vários homens importantes me usaram para mudar o mundo. Alguns obtiveram sucesso. Já outros...nem tanto. Represento um perigo tão grande que posso ser homem e mulher; criança e velho; bonito/a ou feio/a; uno ou múltiplo; ter um "o" ou um "a" separado por barras ao final, e tantas outras milhares de coisas. A vergonha é que dependo de seres humanos que, raramente, sabem me usar; sabem me interpretar; sabem me lançar ao ar. Segunda revelação: Não! as imagens definitivamente não valem mais do que mil palavras. Na verdade, mal chegam a representar de maneira apropriada o significado de uma isolada irmã minha. Isso, é claro, não será válido se você gostar de comprar ideias prontas, ao melhor estilo "pegue duas e pague três" dos supermercados. A vida é, hoje, tão corrida, que não há tempo de pensar com a própria massa cinzenta. Digo tudo isso em apenas uma forma: EVOLUA. Agora tenho que partir. Fiquem com o vácuo e pensem bem no que eu disse anteriormente. Ou não pense em nada. (...)
"Aflige-me a alma, que eu exista, mutilada, através de erros que nem são meus. Assim sendo, emudeço sem razão"
-Palavra
Ewerton Oliver.
Ewerton Oliver.
Eu, tu e ele.
Me dê a mão e vem comigo. Sejamos. Existamos. Compartilho de suas vivências se você compartilhar das minhas. Então, temos um acordo? Sim. Um acordo e um problema: como viver e sentir o que você nunca terá acesso? Tudo está muito bem escondido, e eu também não sei se você suportará. Viveremos ações e esboçaremos reações diferentes. É simples: tenta-se colocar um corpo por sobre o outro, bem apertadinho, enquanto você vai, aos sussurros, descrevendo cada ato seu e colocando as chaves nas fechaduras. Assim poderemos ouvir o clique juntinhos.Tudo bem então! Se é pra tentar o novo, que fechemos os olhos e nos lancemos ao abismo. Independente de tudo, a companhia feita durante a queda compensará o estilhaço dos sonhos banhados de sangue que irá jazer no fundo. Pelo menos é nisso em que eu acredito. E não ouse tolher minha capacidade de ilusão. Considero que não se faz necessário tanto pessimismo. Afinal, partilharemos das mesmas emoções e na mesma intensidade. Eu acho que não. Mas tudo fora edificado em areia movediça. E o que restou ao final de um processo que desconfigura a face e desorienta os globos oculares foi só o vácuo da palavra não dita e do amor mal-feito depressa. Os lugares imaginativos só se tornaram inalcançáveis pelo velado desejo de individualidade que enevoava palavras doces feitas de céu azul e o cheiro de desejo. E nada disso foi realmente dito.
Ewerton Oliver.
Ewerton Oliver.
domingo, 28 de novembro de 2010
Memoir
Da gota d'agua que alimenta minh'alma
Revolve límpido o que encharca meu leito
Enquanto a fonte celestial graça derrama
O pranto das sementes dos ventres e peitos
Se dela escapa alegria luxuriante e desvairada
Fulminante toca o gozo, hibridez de emoção liberada
Pensamentos meus condeno à ilha inútil e isolada
Lanço o raio dos espelhos d'alma no não feito
Ewerton Oliver.
Revolve límpido o que encharca meu leito
Enquanto a fonte celestial graça derrama
O pranto das sementes dos ventres e peitos
Se dela escapa alegria luxuriante e desvairada
Fulminante toca o gozo, hibridez de emoção liberada
Pensamentos meus condeno à ilha inútil e isolada
Lanço o raio dos espelhos d'alma no não feito
Ewerton Oliver.
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