Um braço e depois o outro. Estica a perna e salta. Há realmente um espaço enorme entre mim e o mundo.O que há, na verdade, é um abismo de mentiras entre eu e o mundo. Mentiras que jazem no vácuo da individualidade de ambas as partes. Felizmente, sinto somente vontade de dançar. E sair pelo mundo afora sendo feliz comigo mesmo. Deitar na grama; molhar os pés no riacho; cheirar meu livro novo; admirar a capa dos antigos; pegar na mão e enrubescer. Posso até sentir, às vezes, que não sinto nada. Mas se isso chegou a acontecer é porque já senti demais; do bom ou do ruim. Posso até dizer isto sem aquilo, mas se isso chega a acontecer, é porque palavras já não funcionam mais como passe para o circo de horrores que cada um leva dentro de si. Meu ou seu, não importa. O que não vemos está diante dos nossos narizes: somos iguais e diferentes e, entender e aceitar isso é o primeiro passo gratuito para a felicidade. Porém, minha existência desagua em todas as outras, e isso pode ser o ponto final da minha odisséia particular.