Não vejo d'onde inveja vem
Culmina fogo que se alastra além
Limita ao lamento à lama visceral
Que sempre estará no destino de outrem
- De quem?
Vaga às voltas, viva, velha e vã
Um sentimento sujo e acompanhado
Que, na superfície de sangue pisado,
Prega as peças no destino que lhe convém
- À quem?
Encerra tormenta, granizo e nevasca
Torna fogo de palha incêndio e lava
Empurrando faceiro o vento à fornalha
Cujo corpo emudece nas rimas do desdém
-Ninguém?
Tendo dito o indizível ou impróprio
Responda sem medo, receio ou ódio:
Poderias querer do fundo algo
Pelos meios dignos que você tem?
-Além!
E. Oliver